quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

DCE Não é Gráfica

A contribuição voluntária não pode virar uma mensalidade
A cultura arraigada na desconstrução do Movimento Estudantil, através de uma lógica de prestação de serviços - onde se acredita que o estudante “paga” o DCE e recebe “algo” em troca, é muito conveniente para a Universidade. A contribuição voluntaria se torna uma espécie de mensalidade de um clube e o Diretório deixa de cumprir seu papel principal: representar o estudante. As pessoas acabam esquecendo que pagam mensalidades caras para a universidade e reclamam de 1% que doam ao DCE. É conveniente para a PUC por dois simples motivos:
1- Ela não precisa prover material didático aos alunos, muito menos instalações para que esses possam pesquisar na internet e imprimir seus trabalhos se o DCE o fizer.
2- Os interesses dos estudantes muitas vezes vão contra os interesses da universidade, e a principal entidade que deveria defendê-los fica engessada com a lógica de prestação de serviços.
O Artigo 1º do Estatuto Social do DCE – que o estabelece como pessoa jurídica registrada em cartório – constitui a entidade como: “legítimo órgão de coordenação e representação, para todos os efeitos, do corpo discente”. Sua função de representação é fundamental, pois os alunos precisam ser representados nos conselhos da universidade, e também nos fóruns da União Nacional dos Estudantes (UNE) e em outros espaços da sociedade, como a Coordenadoria de Juventude de Belo Horizonte, a Secretaria Estadual de Juventude, as Conferências Nacionais e em vários outros ambientes.
Os interesses e aspirações dos estudantes não podem ser esquecidos em detrimento da individualidade. Pautas como: a manutenção do tripé “Ensino, Pesquisa e Extensão”, aumento do número de bolsas de pesquisa, democracia interna da universidade, eleição paritária de reitor, melhoria da política de estágios, espaço para cultura e lazer no campus, redução de mensalidades, entre outras, interessam o coletivo dos estudantes e devem ser defendidas pelo DCE. Raramente grupos de estudantes conseguem mobilização e avanços na universidade se não têm apoio de entidades estudantis. O Diretório Central dos Estudantes deve liderar os alunos, representando-os sempre, para que consigam ter voz e avançar na democracia e construção de uma universidade mais justa e participativa.
É importante que entendamos como a mercantilização do DCE e dos D.As e C.As prejudica a nós estudantes, e que, na verdade, deveríamos reivindicar da PUC a ampliação e o desenvolvimento de seu laboratório de informática, para que pudéssemos explorar a estrutura da Universidade - que inclusive têm aumentado suas mensalidades abusivamente sem prestar esclarecimentos aos estudantes – e não esperarmos que o Diretório Central e os D.As e C.As supram as deficiências da PUC.

Felipe Canêdo – Presidente do D.A.Jo.Mi.S de Comunicação PUC Minas


Universidade é lugar de discutir política.

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